
Este poema estava cozinhando na minha cabeça há alguns dias, quando a amiga e leitora Thainá Aguiar "encomendou-o". A postagem também é decicada ao @rafapazz, que tanto reclama do tema. Bem, todo mundo que anda pelo menos 50 metros a pé em Santarém sabe que o que o poema retrata é real até demais. Nem que seja o trajeto entre o carro/onibus até dentro de casa ou da sala de aula, está insuportável!!! Mas acho que nenhuma crítica, neste caso, vai fazer melhorar a situação...
Escaldante
Salta o mercúrio dentro
do termômetro em seu delgado tubo,
e também o suor do estreito ducto
das glândulas sudoríparas.
Arde o sol no meu Tapajós,
escalda suas praias, e o asfalto e a terra batida
da Prainha, Diamantino, Aparecida.
Cada quarteirão é um Círio,
ao andar a pé nesse martírio.
Será que São Pedro esqueceu o caminho daqui?
Ou a chuva que já ferveu antes de cair?
Nesse devaneio tropical, a Amazônia virou Sertão,
e meu Saara é Alter-do-Chão.