terça-feira, 15 de maio de 2012

Poema médico mais uma vez...

Anatomia de um poema


Posição anatômica: olhar no horizonte.
Então vou dissecando o poema.
Conto as sílabas poéticas como quem conta vértebras, 
processos espinhosos - como sabe ferir um espinho rimado! - 
e processos trans-versos. 


 Na Neuro começa o problema.
Há versos que me neuram, me marcam
e, nos feixes do sistema límbico,
o poema vai se enrolando de libido. 
Envolvente como a mielina em seu tecido. 


Vou examinando cada órgão
 e dividindo em estrofes e estratos. 
às vezes enxergo até uma imagem esquisita:
aqui ou ali um parasita. 


 Terminando o estudo. Está pronto: 
Tudo anotado. Logo será publicado. 
O corpo incidido e o poema estão abertos. 
Hora de dar os pontos...

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Amor divino e Paixão humana


O futebol mexe com os brios de pelo menos 80% da população mundial. É um sentimento incontrolável e inexplicável. Nem sempre é sinônimo de patriotismo, pois para a esmagadora maioria, o seu clube é mais importante que a seleção do seu país, e estou inserido na estatística. Nenhuma forma de amor é tão voraz, insaciável e explosiva nesse mundo terreno que aquela que um torcedor carrega no peito.
É divina, pois sabe perdoar e não guarda mágoa. Seu time pode ter perdido, sido humilhado e você pode até ir dormir de cabeça quente (ou não conseguir dormir) e dizer “eu nunca mais quero saber de futebol!”. Porém, no dia seguinte já acorda fazendo contas para a tabela de classificação. É, meu caro, você já perdoou. Não há como guardar rancor de algo tão nobre que nos alegra e nos desespera no mesmo minuto. É amor divino pois não há preconceito nem ciúme. Afinal, se você torce por um time, você não se importa que outras pessoas também torçam. Não é como uma mulher, que você odiaria que outra pessoa a amasse. Quem frequenta estádio sabe: na hora do gol, todo mundo é irmão. Já abracei tanta gente fedorenta que na hora parecia abraçar um anjo. Não tem divisão. Qualquer um pode amar seu time. O favelado, o miserável, a classe média e o milionário. É um amor bíblico que sabe esperar quarenta anos vagando pelo deserto em busca da terra prometida (ou um título), que é incondicional e milagroso. É um amor que leva do inferno ao céu e vice-versa.
E a fidelidade é crucial para a divindade do negócio. Conhece alguém que tenha trocado de time? Dificilmente. É um amor que você escolhe ao nascer. Na verdade, não se escolhe. É como se cada um fosse selecionado para perecer diante de um time sua vida toda. Claro, tem aqueles que trocam de time por causa de namorado, da sogra ou pelo dinheiro ou qualquer outra coisa. Francamente, quem trai um amor tão sincero desse não deve ter amor próprio, e um traidor assim não é perdoado. Um exemplo são os jogadores. O atleta troca seu time por um rival. Pode ser que seja um salário melhor ou coisa e tal e os sabichões intelectuais irão falar “ah, ele é um profissional”. Sim, ele é um profissional. Porém, você leva uma bandeira com o rosto do padeiro quando vai comprar pão? Os pacientes cantam em coro o nome da clínica e do médico enquanto sentam na sala de espera? Você compra uma camisa com o nome do seu advogado nas costas? Provavelmente não. Portanto, não é uma simples troca de uma empresa por outra, mas sim uma apunhalada no peito fiel de um torcedor apaixonado. E por ser um amor divino, pecados capitais não devem ser perdoados…
Todavia, por ser uma paixão, é propriedade humana, e aí que a coisa fica mais intrigante. O ser humano apaixonado é capaz de tudo, e nem sempre isso é um aspecto positivo. O apaixonado briga, sai no tapa, na faca, na bala, e isso é o que vem acontecendo nos estádios e arredores. Amantes organizados brigando para saber quem é o melhor, sendo que isso se resolve no campo, não fora dele. Não só a questão das brigas e da violência, mas o sofrimento aqui fala mais alto. Quando o time perde, o torcedor não quer almoçar, não quer sair, não quer atender o telefone. A derrota é a TPM masculina. É uma prova de sensibilidade de uma mulher não mexer com um macho derrotado, pois este sofre. É uma automutilação, pois mesmo com a certeza da derrota, não sai do estádio e nem da frente da TV, sofrendo a cada instante e depois dele. Sofre como quem dá-se ao carrasco. Uma dor lancinante, um remorso, uma angústia, um arrependimento (ainda que não foi você quem levou o frango ou perdeu o pênalti), o mais amargo e depressivo dos sentimentos. Não demora muito, semana que vem pode ser resolvido com um gol. E é assim que nos vingamos de todas as derrotas da vida: a cada gol do meu time eu me sinto um vencedor.
De tão humano, usou os defeitos para criar qualidades. A rivalidade – que mata e espanca – é a mesma que faz a brincadeira bem humorada, a gozação de toda segunda e quinta feira, as gracinhas nas redes sociais e etc. Quantas amizades não foram construídas graças à rivalidade? Alguns dos meus grandes amigos conquistei discutindo futebol e falando mal dos seus times, enquanto defendia o meu com unhas e dentes. É divertido, e mesmo que seu time seja superior ao do amigo, a discussão nunca tem um vencedor.
O grande mal da humanidade é a inveja. No caso da paixão futebolística não é diferente. Quem não tem um amor desses (ou torce pra Portuguesa, CSA, Tuna ou sei lá) fica falando mal de quem ama. Ora essa, onde já se viu criticar um homem por amar?! E não adianta falar “ele não gosta de futebol, ele é gay!”. Isso é mentira, pois conheço muitos torcedores do Grêmio, Fluminense e São Paulo e eles adoram futebol. É coisa de pseudo-intelectual. É como falar que não gosta de escola de samba ou da globo. Soa bonito para um ego inflado. Pensa que é um Aristóteles do século XXI. Talvez se deixassem o sentimento fluir logo perceberiam o carrossel que iria tornar suas vidas e assim deixando o nobre coração torcedor em paz. Quem ama aceita as consequências de sofrer e gosta disso.
Por base em todo esse longuíssimo e extenuante texto, trago minha tese: o futebol tem asas de anjo em carne humana. É uma força maior que nos guia, que nos faz comemorar efusivamente cada gol pró e cometer um autoexílio na solidão de cada gol sofrido. Se dizem que o melhor amigo do homem é o cachorro, a melhor amiga com certeza é a bola.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pré-feriado

Tudo pronto para o feriado? Vamos por os assuntos da faculdade/colégio/cursinho em dia ou acordar tarde todo dia e se empaturrar de chocolate?
Tanto faz, o que importa é que é feriado!

Trouxe para vocês, queridos leitores, um poema novo.


Literatura

Quando resolvi pensar em ti
Votei em um mundo de poesia.
Mas sem palavras, sem refrão,
sem caderno, sem rimas.

Tentei fugir, esquivei-me do teu olhar.
Até que dedilhei sonetos nos teus cabelos
e jogaste, num suspiro,
redondilhas pelo ar.

O que ganhei foi o inverso:
uma poética caleidoscópica.
Tornaste em ti toda a Literatura
no teu corpo frente e verso.




terça-feira, 27 de março de 2012

Advinha quem está de volta na praça!

Após um abandono ao fazer poético, cá estou de volta para postar no blog. Minha vida tem sido muito intensa e acabo preterindo a poesia. Infelizmente. Poesia deve sempre ser prioridade pra quem deseja ter uma vida sorridente e feliz. Por isso, tentarei a partir de hoje trazer outros assuntos pro blog, sempre tentando enxergar a poesia - cada qual a seu modo - em tais temas.
Fiquei muito feliz por algumas pessoas terem de fato sentindo a falta do blog. Algumas pessoas me questionavam - ao vivo e via redes sociais - sobre a inatividade do Leia no Verso. Em especial o Augusto Serique que compartilhou o link no facebook e ao Boamorte do Hospital Municipal, que sempre quando me encontra por lá está me cobrando!
Também fiquei feliz ao ver as estatísticas. Mesmo com o blog parado, tenho recebido em média 450 visitas mensais e para minha surpresa 62% do público sendo estrangeiro. Segundo o portal URLPULSO o blog - ainda que inativo - esteve na posição de 953.079 site mais acessado no país. Isso é muito!
Então vamos ao que interessa.




Torpor


Encheu-se de si como faz todo ano.
Chegou pela frente
e escancarou a porta sem pudor.
Derramou-se caído no chão.

Lambuzou toda a sala e o hall de entrada.
Espalhou toda a sujeira na sua megalomania embriagada.
E ali ficou jogado, seu suor musculoso e dos ratos;
seu peso espalhado por chão e buracos.

E cobre-se com seu manto azul royal.
Passam os dias e meses
até sua mulher vir lhe buscar.
Eis que brada - pálida e amarelada - a brava Amazona do lar:
-Vamos, Tapajós!




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quem é o craque do Brasileirão?!

Nas redes sociais, nos cafézinhos das repartições públicas, nas mesas de bar e nas filas do Brasil inteiro não se fala em outra coisa a não ser o Campeonato Brasileiro. O melhor torneio de futebol (e mais equilibrado) do planeta tem ganhado contornos de genialidade nos últimos três anos, principalmente por ter voltado a ser uma grande constelação das mais brilhantes estrelas, e não apenas um celeiro de craques mirins.
Se você assistisse ao Brasileirão alguns anos atrás, iria notar uma coisa. Haveria um time bom e equilibrado e diversos outros times bagunçados. Logo, seriam presas fáceis para um pai severo que doutrinava um por um dos seus filhos e ganhava o certame sem dificuldades. Exemplos disso foram o Atlético Paranaense em 2001, Cruzeiro em 2003 e São Paulo em 2006-07. Os time brasileiros eram formados basicamente por jovens das categorias de base prontos para serem vendidos pro primeiro clube europeu que aparecesse e velhos medalhões com 35 anos para cima, prontos para sugar o dinheiro do clube sem jogar nada.
Porém, desde 2009, com Adriano e Ronaldo de volta ao Brasil, voltamos a era dos grandes craques. Cada grande clube tem seu grande craque de estirpe planetária. Pode conferir. E cada um deles é candidato a craque do Brasileirão. Será esse craque Ronaldinho Gaúcho com sua pura malícia, Neymar com seu talento e irreverência, Fred com seu faro de gol e técnica apurada, Liedson com sua leveza, Loco Abreu com sua frieza ou Felipe com sua experiência?
Eu já elegi o meu grande craque deste ano. Ele que deixou tudo tão empolgante e tornou nossas segundas-feiras mais cheias de assunto. O grande jogador deste ano chama-se IMPONDERÁVEL. O que ele tem jogado não é brincadeira. Já aprontou cada uma... ele está sempre com a mesma regularidade, e cada gol, cada toque ou cada jogada sua é sempre um deleite para os apaixonados pelo esporte bretão. Foi o imponderável que fez Anselmo do Atlético Goianiense ter uma noite de Zico contra o Flamengo no Engenhão, e o mesmo que fez Ronaldinho e Cia fazer o melhor jogo da história contra o Santos na Vila. Ele que fez o goleiro reserva do Bota fechar o gol no Pacaembu e ainda deu dois desvios para os gols do seu time sobre o Timão. Foi o Imponderável que fez preleções fantásticas no vestiário do América-MG contra o próprio Corinthians, Fluminense, Vasco e Botafogo, transformando um time “peso-morto” em máquina mortífera da reta final. O imponderável que fez um time brilhante no primeiro semestre como o Cruzeiro se tornar o saco de pancadas do Brasil. Ele está sempre desviando uma bola, dando um chutão que termina em gol, transformando o cabeça-de-bagre em craque com uma jogada linda e o craque em perna-de-pau com uma furada ou passe bisonho.
O imponderável é a grande atração deste campeonato, e me abstenho de fazer qualquer palpite ou previsão para a última rodada, exceto uma: o craque do brasileirão vai para dez campos simultaneamente!

E para você, quem é o "segundo melhor" jogador? Deixe seu comentário.



domingo, 20 de novembro de 2011

Para os que estavam com saudade

Tenho ouvido muita música boa, tenho andado e conversado com pessoas muito bacanas, tenho aprendido coisas que vou lembrar pra sempre. Em suma, tenho sido feliz, que é algo natural, mas no mundo em que vivemos às vezes isso soa pesado como uma bomba.
Graças a Deus tenho saúde e tudo o que preciso. Muitas pessoas são abençoadas também, mas nem todas conseguem ser felizes. Entretanto, há aquelas que não tem saúde ou não tem tudo o que precisam e ainda assim conseguem ser felizes. Aí, meu chapa, é que eu gosto de buscar minhas lições. Esse poema tenta falar disso. Os amigos da medicina irão se interessar.

Eritema Malar



E olha ela com a borboleta no rosto
nem quer ver o tempo passar
e nem espera o tempo parar.
Pro inseto não criar asas, faz de tudo,
mas nunca presa no próprio casulo.

Alguns lhe tratam com nome de lobo,
de uma patológica alcatéia.
Podem até dizer que é mal gosto.
Ela age sempre a contra-gosto
contra um contra-golpe mórbido
da borboleta em seu rosto.

Leva a vida. Não quer se deixar levar por ela.
As dores no joelho e nas mãos,
Seu corpo todo em inflamação.
É apenas detalhe, balela.
Pois já está em vôo alto com a borboleta
pelos céus de sua imaginação.




terça-feira, 1 de novembro de 2011

SIMPÓSIO DE SAÚDE DO HOMEM

"Simpósio de Saúde do Homem da sociedade brasileira de UROLOGIA.

sexta à noite(4/11) e sabado de manha (5/11)

Programação:

sexta-feira: abertura DR RICARDO TUMA - PRESIDENTE DA SBU-PA

SAÚDE DO HOMEM VISÃO GLOBAL E SITUAÇÃO NACIONAL - DR RICARDO TURMA

URO GERIATRIA - ABORDAGEM ATUAL E INTERFACES COM OUTRAS ESPECIALIDADES - DR CHARLES VILLACORTA

DISFUNÇOES SEXUAIS: DISFUNÇÃO ERÉTIL E EJACULAÇÃO PRECOCE - DR SIDNEY CRUZ

DECLÍNIO HORMONAL NO HOMEM: COMO DIAGNOSTICAR E TRATAR - DR MAURÍCIO MASSULO


sábado: TUMORES DA PRÓSTATA - DOENÇA BENIGNA E MALIGNA - DR RODRIGO ALENCAR

TUMORES DE PÊNIS - DR WESLEY MUNIZ

EXISTE PREVENÇÃO DOS TUMORES UROLÓGICOS? - DR CHARLES VILLACORTA

TUMORES TESTICULARES - DR ALBERTO TOLENTINO

REALIDADE MÉDICO UROLÓGICA NO BRASIL - DR RICARDO TURMA




local: auditório da UEPA (avenida plácido de castro)
Investimento: R$ 15,00
CONTATO: JOÃO ALHO (093-9131-0150) E PAULO DIEGO (093-8127-4377)
OBS: HAVERÁ EMISSÃO DE CERTIFICADO."