Chico Science escreveu que Risoflora era a flor mais bela do manguezal. Parafraseando o cantor pernambucano e analisando o poema que vamos ler hoje por aqui, espero que nasça uma flor dessas em cada família que é vítima do protagonista (e vilão) do nosso texto aqui hoje. Precisa-se de esperança, de determinação, de fé, e uma flor é algo que simboliza tudo isso. Para quem não entender as metáforas do poema, vai uma dica (claro, não posso dar tudo mastigado para vocês...): qual o signo do horóscopo que tem como símbolo o habitante do manguezal?
Mangue
Os caminhos da dor nem sempre têm saída.
São estradas tortuosas e torturantes.
Com rios de lágrimas e lagos de sangue.
E, no fim, a Indesejada da gente nos espera em sua marcha claudicante.
Há atalhos nesses caminhos
- queira nunca traçá-los -
em trilhas de caranguejo.
O crustáceo surge pequeno e silencioso
e vai sugando tudo o que há de vida
e se torna enorme e escandaloso.
Os que pisam nesse caminho,
sem saber, afundam devagarinho.
Dormem na praia e acordam no Manguezal.
HÁ CARANGUEJOS EM TODOS OS LADOS!
O que nasceu no pâncreas pôs sua ova
e a prole se espalha e ganha terra nova em todo o corpo.
O ramal vai encurtando, já se vê que é sem saída.
As pinças e garras vão arranhando e segurando
os amores de quem faz essa caminhada.
Querem arrastá-los junto, qurem fura-lhes a alma,
querem tirar-lhes o alicerce, chocar as famílias.
Mas não importa mais, são coisas da vida.
O fim do beco já está dobrando a esquina,
e é sábio o aventureiro que pisa esse chão olhando pra cima.
P.S: Outra paráfrase: Indesejada da gente é como Manuel Bandeira chamava a Morte.