Olá. As aulas voltaram. É verdade que abandonei o blog nessas férias que passaram. Muita coisa pra fazer (jogar video-game, jogar bola...) e acabei deixando este sítio aqui de lado. Porém, estou de volta à ativa e trazendo textos novos. Hoje é um texto que conta a ironia tremenda que acontece em um lugar da nossa cidade.
Defronte afronta
É tanto moço, tanto alvoroço.
Tanta fumaça, tanta cachaça.
Tantos ensurdecedores decibéis
do outro lado da rua.
A arte e a cultura que repousa no museu
sofre toda noite com tamanha afronta.
"O grito" de Munch levaria as mãos da face aos ouvidos
se ouvisse tanta pobreza de pensamento
infestando o cartão-postal dos eruditos.
São vozes sempre iguais vindo dos porta-malas.
São toneladas de som e nenhum grama de cultura.
E a baixaria em altíssimo volume agonia
as nobres peças de arte do outro lado da rua.
Talvez se quem bebesse à noite nos degraus
lesse um livro ou viesse por lá de dia
conheceria um mundo menos burro
e até mudaria, um dia.
Deixa prá lá, pois vem dobrando a esquina
um barulho aliviante de sirene,
e o ruído chato da polícia, quem diria,
veio salvar o descanso que João Fona merecia.