segunda-feira, 2 de agosto de 2010

De volta às aulas


Olá. As aulas voltaram. É verdade que abandonei o blog nessas férias que passaram. Muita coisa pra fazer (jogar video-game, jogar bola...) e acabei deixando este sítio aqui de lado. Porém, estou de volta à ativa e trazendo textos novos. Hoje é um texto que conta a ironia tremenda que acontece em um lugar da nossa cidade.















Defronte afronta


É tanto moço, tanto alvoroço.
Tanta fumaça, tanta cachaça.
Tantos ensurdecedores decibéis
do outro lado da rua.

A arte e a cultura que repousa no museu
sofre toda noite com tamanha afronta.
"O grito" de Munch levaria as mãos da face aos ouvidos
se ouvisse tanta pobreza de pensamento
infestando o cartão-postal dos eruditos.

São vozes sempre iguais vindo dos porta-malas.
São toneladas de som e nenhum grama de cultura.
E a baixaria em altíssimo volume agonia
as nobres peças de arte do outro lado da rua.

Talvez se quem bebesse à noite nos degraus
lesse um livro ou viesse por lá de dia
conheceria um mundo menos burro
e até mudaria, um dia.

Deixa prá lá, pois vem dobrando a esquina
um barulho aliviante de sirene,
e o ruído chato da polícia, quem diria,
veio salvar o descanso que João Fona merecia.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Poesia é um troço simples. Foi-se o tempo do Parnasianismo, quando não havia poesia, e sim "artes poéticas". Era mais importante enfeitar o poema com rimas ricas, palavras rebuscadas no dicionário e diversos recursos de linguagem eruditos que faziam o leitor terminar a leitura sem entender nada daquele monte de palavras. Como diz minha amiga e colega de aula Camila Lobato, "falou um quilo e eu não entendi um grama!".
Por isso, tento me focar no conteúdo. Claro que é legal dar uma fosforilada de vez em quando, uma enfeitada só pra pensarem que sou inteligente. No entanto, o conteúdo prevalece, deixando a forma como um mísero detalhe. Então, meus textos são assim: qualquer um pode ler, mas nem todos podem escrever, visto que é sempre o meu jeito de pensar que está ali, e ter esse jeito idêntico é difícil, já que todos nós somos únicos. Um abraço.



Tropeço


Caí da escada!
Me arrebentei todo no chão
e ainda bateu na minha cabeça a dúvida:
dói mais a frustrante queda na subida
ou o tombo estabanado na descida?



P.S¹.: É errado começar período com pronome oblíquo (segundo verso), mas eu tenho direito à licença poética! HAHAHA!
P.S².: Respondendo à pergunta que encerra o texto, o Rui Toshio disse "depende do degrau".
P.S³: Play Station 3

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Férias = preguiça

Cara, poesia não combina com férias. Vocês não tem noção: quanto mais tempo se tem, menos disposição há para fazer as coisas. Parece que os versos fluiam tão livremente nos cinco minutos entre um livro ou outro no tempo das aulas. Eu durmo (quase) todo dia com a consciência pesada "po, nem escrevi nada." "po, o blog tá entregue às traças". Eis aqui a nafitalina: um poema com uma pontinha de esperança.
Mário Quintana disse uma vez que quando o leitor não entende o que um autor escreveu, é porque um dos dois é burro. Porém, nem todo mundo vai entender este poema, pois fala de um cara que somente quem está mais ligado ao colégio em que eu estudei conhece. Quem não entender, não se sinta burro e nem me chamem de burro!



Par de olhos

Era uma vez um par de olhos
que via tudo belo e total.
Foi perdendo a nitidez, como quem mexe na antena da TV
e logo ganhou a companhia de vidros garrafais.
Garrafa de vidro, de água, de vida,
litros e litros dum elixir que ria e fazia rir.
Litros de alegria, de sorrisos e de geografia.

O par de olhos via coisas bonitas.
Viu amores, copas do mundo, a Bíblia e coisa e tal
enquanto os fiés fundos de garrafa ganhavam sempre mais um grau.
Entre mapas, livros, blocos econômicos e cartéis,
quem sentava para ver o par de olhos ensinar
não via mesmo era o tempo passar.

O par de olhos foi ficando cansado.
Seu cristalino foi cristalizando-se,
a mácula, imaculando-se
e o par queria apenas descansar.

Até que um sério jaleco decretou:
- Não tem volta. A chance é uma gota no mar.
Reação melancólica: se afogava esse par
e dos olhos transbordavam gotas de desespero.
Quão triste para eles não poder ver mais o brilho de outro par.
O destino é escuro e tem prazo para acontecer. Uma penumbra de incertezas.

Mas quem lá de cima olha
é sabio e sabe traçar
as linhas e os caminhos
pros olhos a luz enxergar.
O Homem-que-vê-tudo encomendou
- em ventre bem-amado -
uma menina, a luz dos olhos,
para o par de olhos se encantar.

Quando o último raio de luz se apagar nas intactas retinas desse par,
eles estarão pronfundamente agradecidos
por virem um novo par de olhos brotar.
Olhos pequeninos, sorridentes e infantis.
Felicidade escancarada na "tela".
E com a "menina dos olhos" no colo
não precisará mais de olhos
para ver que a vida é bela!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

De volta na praça

O leianoverso está de volta. Meu computador voltou e com ele voltarão também a dose de poesia que a vida de vocês todos precisam. Queria mandar um abraço aos meus leitores fiés, em especial pro André, pra Larissa, pra Raíza e pro Arturo, que não se limitou somente a ler, mas também a criticar e mostrar o que pensa; show de bola. Apenas uma réplica: falaste das rimas, mas uma característica minha é não dar a mínima para as rimas, deixo apenas elas aparecerem por vontade delas mesmas! O texto de hoje é um pouco antigo, mas tem seu valor.





Contramão


Você que insiste
em negar e empinar o nariz,
vê, por favor, que se perde
um momento mais feliz

Você que persiste
em argumentar que não dá mais,
larga dessa ladainha
de que não sou um bom rapaz.

Você que nega,
não sabe como dói na carne
um sorriso tão belo
com um "não" a ilustrar-lhe.

Você que decide
com a cabeça, mas não com a razão,
não vê como é linda e triste
a poesia da contramão.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Férias, fera!

Amanhã começam minhas férias. Espero que elas sejam repletas de poesia.
Desculpem a melancolia. Hoje teve o Concurso Santareno de Poesia do III Salão do Livro, e eu tinha a esperança de estar entre os premiados do certame. Infelizmente, ainda nao foi dessa vez. Entretanto, não sei perder e estou meio "emburrado". Sinceramente, é muita pretensão minha: me "profissionalizei" há menos de dois meses e já almejava algo grande assim...agora é hora de por os pés no chão. Fica pra outra oportunidade.
Comprei um livro de poesias hoje e ganhei outro com dedicatória e tudo do poeta Eduardo Santos. Vou ler um amanhã para matar minha ansia por novos textos. Abraços



Esquadrilha

Precisamos ser mais pragmáticos.
Porque, no desenrolar do poema até a quarta estrofe
muita coisa está acontecendo:
A tinta vai acabando, a ponta do lápis quebrando...

E corremos o sério risco
do papel maltrapilho, cansado de ser tão maltratado,
se rebelar contra a escravidão poética e,
à revelia das suas tatuagens líricas,
fugir por aí em um aviãozinho de papel.

domingo, 13 de junho de 2010

Meu caro amigo,

me perdoe por favor se eu não estou em dívida com este blog. Algumas coisas me tiraram da blogosfera nas últimas duas semanas: A Operaçao Saude e Lazer, promovida pela OSCA em parceria entre UEPA e OPERAÇAO SORRISO; a tensão de fim de semestre: provas e trabalhos, e principalmente um agravante: meu computador está quebrado!
Queria agradecer nesta postagem a algumas pessoas. Primeiramente ao jornalista Jeso Carneiro, que postou um poema meu em seu badalado blog nessa semana, promovento o blog e eu como produtor textual; aos "tios" Roberto Vinholte e Juvêncio Monteiro, que elogiaram bastante o blog pessoalmente e on-line, o que me surpreendeu, visto que minha poesia tem tocado pessoas de
uma faixa etária - e cultural - mais madura. Por último, a todos os fiéis amigos que tem visitado essa página e aos meus parentes que também tem me dado força. Muito Obirgado.




Anamnese

Fiz um poema em um prontuário.
Não tinha queixa principal, sintomas e nem horários.
Foquei na história sem fim do paciente,
da furada de prego na infância à doença de agora,
passando por sarampos, fraturas, diabetes e pressão alta.
Ficou a impressão alta de que algo faltava...

Levei asperamente a mão pelo meu cabelo
para depois - com pose de sabichão - repousá-la no mento.
- Já resolvo seu caso, só um momento!
Era um caso crônico de falta de poesia!

A falta de versos (lidos, escritos ou vividos)
fez do homem um doente, um problema.
Para evitar complicações e efeitos adversos, pus no receituário:
Drummond e Bandeira duas vezes ao dia, por qualquer via.

Consulta encerrada. Aguardo retorno.
E para o próximo médico,
se não entender meus métodos ou minha promessa de cura,
deixei anotado um lembrente, um conselho:
- Fazer revisão de Literatura.

sábado, 5 de junho de 2010

Viva Laduma! Clima de Copa do Mundo!

Galera, essa semana foi tensa, nem deu de dar atenção pro Blog. Desculpem-me do fundo dos seus corações. Hoje tou empolgado com o futebol: fiz dois gols e tou me achando o Pelé! Nessa semana, terá início a Copa do Mundo, o maior evento do nosso planeta. O leinoverso também entra no clima com um texto falando de algo que parece um milagre, que não respeita cor, credo ou classe social. Ele apenas acontece; o nome dele é gol.




De tudo que é jeito

Gol de falta, gol de classe, gol de craque,
gol driblando o goleiro.
Gol de cobertura, gol soltando um torpedo.
Gol espírita, gol de cabeça, gol de canela,
gol no bate-e-rebate.
É gol de artilheiro.

Gol de carrinho, gol na raça,
gol na humildade do zagueiro.
Tem gol pra calar a boca;
tem gol pra ficar de boca aberta.
Gol alegre, irreverente.
Gol com dancinha e exagero.

Gol de fora da área,
gol debaixo da trave,
gol com desvio leve no escanteio.
Gol com rede balançando,
Gol que nem toca na rede!
Gol que sacode o país inteiro.

Gol com requinte de crueldade, gol de honra.
Gol embala-nenê, gol com "eu te amo" e beijo,
gol pra correr pro meio-campo e abraçar o companheiro.
Gol pra tirar a camisa, gol pra levantar a torcida.
Serve até gol contra; tem gol de todo jeito!

Tem gol pra ir mais cedo pra casa,
mas também tem gol pra não voltar tão cedo pra casa.
Gol pro craque, pro perna-de-pau, pro guerreiro.
Gol pra tristeza (de uns) e alegria (de outros).

Eu quero é gol. E gol brasileiro!